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terça-feira, 6 de maio de 2008

A mediocridade de uma vida!

Acordei sempre cedo, andei sempre muito, trabalhei sempre muito, estudei sempre muito... Sempre fui povão... Dei o melhor de mim, sempre... E sempre mal interpretado, sempre fui excluído porque queria dar, de mim, o melhor. Fui o único? Com certeza, não! Muitos dos que estiverem lendo agora já tiveram essas experiências e compartilharão da minha opinião.

As pessoas, os patrões, as empresas não querem o melhor de nós, o que de melhor tivermos para dar. Todos querem de nós o melhor para a própria conveniência deles. Simples assim! Querem que o nosso melhor seja o que mais os favoreçam e não que o melhor seja o que falsamente pediram para você dar em função de um trabalho, de uma turma de escola ou faculdade ou mesmo de uma classe social. Simples assim!

Não deixa de ser um jogo de interesses, sempre. Não deixa de ser uma espécie de tráfico de influências, tipo “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Não deixa de ser uma espécie de corrupção. Um tipo de corrupção em que um reles presidente de um reles de um sindicato de trabalhores qualquer, que nada faz pelos seus associados, ainda deixa de pagar ao seu próprio trabalhador o salário devido ou combinado. E esse dito presidente ainda se elege deputado, disputa cargos de secretária municipal em alguma cidade medíocre de interior, sempre por força de estar à frente de um sindicato.

Claro que existem exceções, mas são raras. Aprendi com Lia Ozório, para mim emérita mestra, uma das melhores professoras que tive na minha já longa vida, que devemos aprender a conviver com a corrupção. Porém, até que nível devemos aceitá-la como nossa vizinha, como aquela que bate insistentemente à nossa porta? Até quando devemos aceitar que ela, a corrupção, nos mantenha na mediocridade do curral eleitoral? Até onde devemos nos deixar emprenhar pelo discurso demagógico dos que nada vão fazer por nós, o povão?

Nós, do povão, somos sempre usados em função das conveniências alheias. Ou prestamos para manter a própria mediocridade em seus cargos ou somos excluídos. Ou prestamos para fazermos com que ascendam a um cargo maior ou não prestamos. Somos eleitores, somos professores, somos jornalistas, somos pais de família. Porém, qualquer que seja nossa ocupação, somos sempre formadores de opinião em determinado momento do dia.

7 comentários:

Áurea Maria disse...

Entendo perfeitamente.

Mas não acho que tenhamos que aprender a conviver com a corrupção. Que ela está aí, sempre a nos lanhar, isso é verdade. Mas não é motivo para abaixar a cabeça.
Sou livre, não temo. A cada dia que passa, aprendo que devo buscar mais e mais aquilo que condiz com os mais dignos valores que carrego. Minha liberdade permite que eu tente, corra atrás e, caso me depare com o descaso e com o silêncio, não desista.

Sei também que tudo é muito parecido pelo país afora. De qualquer forma, a medíocre cidade onde têm acontecido esses fatos, é de um povo calejado e conformado com tudo que se lhe apresenta.
Essa terra é de coronéis. E, o pior, coronéis burros, caricaturais e mesquinhos.
O problema que o maior número não ousa fazer a revolução dos bichos. Se fizessem, quem tomaria o poder certamente seriam os porcos.

Áurea Maria disse...

Um fato: estava na fila do banco, mês passado, para sacar um cheque, e encontrei uma garota da época de Liceu. Conversa vai, conversa vem, politicalha é pauta principal nas esquinas da cidade. A moça disse "quem entrar, não tem como, vai roubar... é muito dinheiro... Até eu, se estivesse lá". Pergunto: é o que se diga? É o que essa moça tem a ensinar a sua pequena filha?
É o que paira em muitas cabeças conformadas e de vento. E, na verdade, não sei para que serve tanto dinheiro. Tenho certeza que quem o tem, não é tão feliz.
Ainda acredito que um jornalista que tem paixão pela profissão e que ganhe o suficiente para levar a vida é muito mais feliz que esses caras...

Anônimo disse...

É publico e notório que a corrupção nos sonda por todos os lados e há ainda o descaso dos políticos para com seus eleitores, que nos deixam cada vez mais decepcionados a cada término de um processo eleitoral. Durante o mesmo, somos acometidos de todos os tipos de promessas de palanque. Promessa de uma educação de qualidade, lazer, cultura, moradia, saneamento básico, etc. Mas a cada nova gestão, vê-se que tudo continua na mesma. E todo o descaso com o eleitor-cidadão se faz presente.

Quem antes fazia questão de ser chamado de “amigo”, agora quer ser tratado de “Senhor”, “Doutor”, “Vossa Excelência”, mostrando-nos nitidamente “onde é o nosso lugar” e dando por esquecidas todas aquelas promessas de palanque. Aquelas mesmas que nos fizeram acreditar em dias melhores, que nos deram a esperança de segurança a cada ida à escola dos nossos filhos. São promessas que para eles parecem tão pequenas, mas para nós, “povão”, nos enche de esperanças em dias melhores, com educação de qualidade, com segurança pelas ruas da cidade, com MÉDICOS humanos, que zelem e coloquem em prática seu juramento, que nos atendam a qualquer hora em que se chega à uma emergência.... Promessas, apenas promessas...

E como fazer valer o nosso direito? Como não nos sentirmos “roubados” no direito à cidadania? É preciso ter voz ativa, participante. Falar o que está errado, brigar por nossos direitos e defendê-los, para que não fiquem perdidos apenas na Constituição.
Ser cidadão, não é apenas possuir Registro de Identidade, CPF e o tão cobiçado por nossos “amigos” Título de Eleitor. Ser cidadão, é fazer valer nossos direitos. É brigar com os agora “Doutores”, cobrar deles suas promessas e brigar para que elas sejam cumpridas. Não podemos nos deixar enganar a cada processo eleitoral, pois cada vez que ele, o processo, passa, nos sentimos “roubados”.
Para isso, realmente é preciso informação.

Priscila Lima

Menina Nuvem disse...

Nestes cinco parágrafos, diversos tópicos possíveis de se comentar...

• A vida de quem se vale mais da esperteza do que da inteligência sempre será mais simples. Acredito que a esperteza já é algo que vem conosco feito acessório e pode ser desenvolvida ao longo dos anos; é feito instinto... Enquanto isso, a inteligência precisa ser construída, tijolo a tijolo, com trabalho [estudo] árduo...

• Depois que a gente começa a estudar Administração e analisar as coisas do ângulo de uma empresa, as opiniões mudam um tanto... Não é questão de defender toda e qualquer conduta empresarial...
É preciso reconhecer que através das organizações [que sim, sem utopias, visam lucro], é que as pessoas conseguem alcançar boa parte das suas metas... Se formos analisar os principais desejos da maioria das pessoas, teremos: uma formação acadêmica, a constituição de uma família e, principalmente, a realização pessoal através de um trabalho, de uma profissão, de uma carreira...
Pode ser sim um jogo de interesses... Agora, será que somente interesses da empresa?! Acredito que este deva e possa ser um jogo de ganha-ganha: a empresa alcança seus objetivos através dos funcionários quando, ao mesmo tempo, os funcionários alcançam seus objetivos através da empresa...
[como dito anteriormente, sem defender qualquer conduta empresarial ou mesmo desconsiderar a classe trabalhista... até mesmo pelo fato de que, no momento, eu faço parte desta]

• Hoje estudamos que dentro das organizações não temos mais chefes e funcionários, mas sim líderes e colaboradores... O que acontece é que as práticas continuam as mesmas... É cacique mandando em um "bando" de índios...
Apenas acho que não se pode criticar o tempo todo aquele que está frente a uma organização... É necessário que haja alguém liderando ou imagine o tamanho da desorganização [que já ocorre mesmo com alguém frente a organização (desorganizada)]...
É quase uma questão de empatia...

• Conviver ou não com a corrupção infelizmente não é uma escolha... Agora, calar-se diante dela ou fazer uso da nossa liberdade de expressão é sim... Diante da política ou mesmo das injustiças somos todos formadores de opinião... o único problema é que a maioria decide ser "tomadora" de opinião... Afinal, pra esses cansa pensar e tudo que só precisa ser diluído é mais fácil...

Esperteza ou inteligência?!
:)


PS: eu disse que eram muitos tópicos a comentar... e acredite, ainda faltou... rs

Repensando Política disse...

Áurea:

O que a Dra. Lia Ozório defende não é a corrupção. Ela entende que a corrupção sempre existirá e que saber conviver com ela significa que se pode ajudar a minorá-la. Essa é a posição dela.

Sua opinião tem muito mérito. Se todos pensassem assim, seria ótimo para o país e seus cidadãos. Porém, mesmo que não concordássemos com o pensamento dela - e você não concorda - precisaríamos concordar que o sistema socioeconômico vigente tem sua elite dominante e vai sempre brigar para continuar a ser elite. Isso implica em artifícios para se manter no poder, o que acaba também por implicar em tráfico de influência, o que não deixa de ser um grau de corrupção.

Tenho comigo que não devemos abaixar a cabeça para a corrupção, como vc mesma disse, mas talvez não consigamos “bater de frente”, dada a sua institucionalização. Porém, com certeza, podemos contribuir para sua diminuição. Queremos distância dela, mas é mais ou menos como a pessoa que diz que não entra para a política porque não concorda com o que acontece nela. Bem, se quem não concorda não estiver lá, quem vai discordar e poder modificar alguma coisa?

Obrigado por seu comentário inteligente, Áurea. Participe sempre!

Repensando Política disse...

Olá, Priscila.

Bastante pertinente seu comentário. Obrigado por ele.

As promessas dos políticos realmente nos reacendem nossas esperanças, não é mesmo? Daí, a decepção, depois, já que essas promessas não se cumprem na maioria das vezes.

O que fazer? Cobrar do poder público uma política pública de Comunicação, que, entre outras coisas, dê o histórico dos candidatos às eleições é uma possibilidade. Assim, poderíamos saber o que já fizeram de bom ou de mau e escolher em quem votar. Outro ponto é entender que votar pelo benefício imediato que o eleitor pensa que terá do candidato é um atraso. É preciso ver um pouco mais adiante.

A Lei “Equilíbrio de Nash” é um dos exemplos. John Nash, prêmio Nobel de Economia em 1994, nos ensina, através dessa lei, que trabalhar em grupo por um objetivo comum, mesmo a médio prazo, é muito melhor que olhar apenas para si mesmo de forma imediata. Trocar o voto por telhas, cimento, bolsa-alimentação, vale-gás e outros apenas continua retardando o processo de melhoria coletiva.

Seu entendimento sobre o que é ser cidadão é exemplar. Porém, como fazer para que o habitante tenha conhecimento sobre seus direitos e deveres para além do cotidiano, se não há informações nesse sentido para ele? É aí que entra a Comunicação Social, que deveria ser uma política pública, tratada de modo mais eficaz, visando o interesse da comunidade, e não apenas algo em favor de quem está no poder ou ainda acessível apenas a quem tem uma instrução educacional.

Abraços.

Repensando Política disse...

Olá, menina nuvem. Obrigado por seu comentário inteligente.

No regime neoliberal, que visa à produção e, acima de tudo, lucro, creio haver mesmo lugar para a esperteza. O mais esperto pode se esquecer da ética e passar a perna em alguém com mais princípios em função de levar a cabo uma determinada tarefa, seja ela de que natureza for. Bem, isso sempre existiu mesmo, apesar de que por motivos diferentes. Hoje, seria apenas uma espécie de aceitação da esperteza de forma oficial e com finalidades diferentes.
Como você disse, continuamos a ter caciques mandando em índios. Isso implica entender que a chefia continua chefia. Não são líderes naturais, mas hierárquicos, não é mesmo? A chefia se maquia de liderança, mas não há muita diferença, pois o mando é dela mesmo.
Certamente, quanto mais estudamos, mais abrimos nossos horizontes, enriquecendo-os com novas visões de mundo. E, como você disse, conviver ou não com a corrupção não é uma opção, mas calar-se e não fazer uso da liberdade de expressão é uma escolha. Por isso estamos aqui, fazendo uso da nossa liberdade de expressão. É uma forma humilde de formar opinião, mas é a colaboração que podemos dar no momento.
Participe sempre!